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terça-feira, 4 de outubro de 2011

O TRABALHO INFANTIL: FATOR DE USO DIDÁTICO OU CAUSADOR DE DOENÇAS OCUPACIONAIS?

O TRABALHO INFANTIL: FATOR DE USO DIDÁTICO OU CAUSADOR DE DOENÇAS OCUPACIONAIS?
Pedro Rogério Villar Barreto*

         Muito tem visto falar em opiniões de jornais e revistas sobre o problema do trabalho infantil. Para alguns as crianças e os adolescentes devem trabalhar, pois é uma maneira (para muitos à única) de evitar que caiam no mundo do crime. Para outros é questão abominável, nunca uma criança ou adolescente devem trabalhar, mas sim se ocupar coisas lúdicas como jogos e brincadeiras.
         Neste contexto, temos o combate do trabalho infantil feito pelo Ministério do Trabalho, que com poucos recursos, têm feito muito neste contexto.
         Mas esse debate também compreende também educadores, trabalhadores da área de segurança do trabalho, políticos, cientistas sociais, enfim; esse é um debate que abrange uma grande parcela da sociedade, melhor dizendo, é uma discussão pertinente na sociedade.
         Podemos dizer que todos, cada com seu ponto de vista, estão certos e errados.
         Aos que defendem o uso didático do trabalho estão, de certa forma, certos. Muitos de nós começamos trabalhar cedo e este foi um dos fatores para não acabarmos servindo ao crime. Mas pergunto: Será que temos estrutura econômica para empregarmos estes menores? Certamente não. Pois  uma criança no seu desenvolvimento intelectual e físico não pode exercer funções periculosas e insalubres, pois seu organismo é mais frágil e mais sujeito a sofrer as alterações desse risco. Outra pergunta que me faço: Será não estamos tentando resolver o nosso déficit educacional com um projeto tapa buraco como esse? Pois sabemos como é difícil estudar e trabalhar, por exemplo,  para um adulto, imagina para uma criança ou adolescente. Tem mais a questão da oferta de trabalho, pois no crime, a criança também trabalha, para traficante. Ainda a questão de segregação social, pois quem trabalha é filho de pessoas com poucos recursos econômicos, sendo as crianças de classes mais abastadas fora desse contexto. Sabemos que adolescente de classes mais elevadas também acabam no crime e nas drogas, fazendo desta tese uma articulação pouco cientifica e sem lógica.
         Aos que defendem somente crianças  e adolescente façam atividades lúdicas e estudem eu pergunto: Que atividades lúdicas e que educação? Neste sistema educacional instrumentalizado que ainda preza “a decoreba” e nada de compreensão e raciocínio, esta é pouco construtivo na formação intelectual dos nossos jovens. Novamente faremos uma medida paliativa para resolver o problema.
         O que devemos é construir um sistema educacional mais igualitário, onde o fator primordial seja uma educação holística, onde a prática e teoria andem junto. Qualificação profissional e educação normal, devem ser exercidas. A qualificação profissional, sendo ministrado a matéria de Segurança do Trabalho, certamente evitaria vários acidentes do trabalho futuros, pois criaria uma mentalidade prevencionista na sociedade.
         Pois mesmo que aparelhe bem a fiscalização do Ministério do Trabalho, o trabalho infantil não acabará, se a pobreza e o déficit educacional não for resolvido.

* Técnico de Segurança do Trabalho  formado pela Escola Técnica da UFRGS com mais de 7 anos de experiência na área e estudante de Ciências Sociais da UFRGS

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